Hi there, tudo certinho por aí?
Hoje eu quero te propor algo simples, mas extremamente poderoso. Sua única missão é ler e escutar o texto a seguir. Sim, só isso. Mas faça isso com intenção: releia, repita, volte quantas vezes forem necessárias até que cada palavra soe natural para você. É assim que você constrói vocabulário de verdade e desenvolve um listening afiado, quase automático e em nível avançado. Nada de complicação. Nada de excesso de teoria. Apenas prática inteligente. Are you ready? Let’s do this!
ARE HUMANS AND ANIMALS REALLY SO DIFFERENT?
OS HUMANOS E OS ANIMAIS SÃO REALMENTE TÃO DIFERENTES?
Science correspondent Martha Hamlin looks at whether anthropomorphism — attributing human characteristics or behavior to animals — is necessarily a bad thing.
A correspondente científica Martha Hamlin analisa se o antropomorfismo — atribuir características ou comportamentos humanos aos animais — é necessariamente algo ruim.
One night not long ago, an octopus named Inky hauled himself out of his tank at New Zealand’s National Aquarium, heaved himself across the floor and squeezed into a narrow drain leading to the Pacific Ocean. It was a story fit for a children’s film, and was widely shared online. Part of the fun of the story and other such tales of escape, involving creatures as diverse as rats and llamas, is indulging in a bit of knowing anthropomorphism: animals, they’re just like us!
Certa noite, há não muito tempo, um polvo chamado Inky saiu de seu aquário no Aquário Nacional da Nova Zelândia, arrastou-se pelo chão e se espremeu por um estreito ralo que levava ao Oceano Pacífico. Era uma história digna de um filme infantil e foi amplamente compartilhada na internet. Parte da graça dessa história e de outras semelhantes de fuga, envolvendo criaturas tão diversas quanto ratos e lhamas, está em se permitir um pouco de antropomorfismo consciente: os animais são iguaizinhos a nós!
In the case of octopuses, this pleasure is especially pronounced, because the creatures’ great intelligence comes packaged in bodies so vastly dissimilar to our own. How is it that eight-tentacled sea creatures can open jars, recognize faces, use coconut shells as portable armor and even exhibit sophisticated play behavior?
No caso dos polvos, esse prazer é especialmente acentuado, porque a grande inteligência dessas criaturas vem embalada em corpos completamente diferentes dos nossos. Como é possível que criaturas marinhas de oito tentáculos consigam abrir potes, reconhecer rostos, usar cascas de coco como armadura portátil e até demonstrar comportamentos sofisticados de brincadeira?
Anthropomorphism is often thought of as unscientific, but Dr. Frans de Waal, who studies primates such as gorillas and chimpanzees, argues that it is not in fact anthropomorphizing, but its opposite — an unwillingness to recognize the human-like traits of animals, or what he terms anthropodenial — that has too often characterized our attitudes toward other species.
O antropomorfismo é frequentemente considerado anticientífico, mas o Dr. Frans de Waal, que estuda primatas como gorilas e chimpanzés, argumenta que não é o antropomorfismo, mas sim o seu oposto — a recusa em reconhecer os traços humanos dos animais, o que ele chama de “antroponegação” — que tem caracterizado com demasiada frequência nossa atitude em relação a outras espécies.
Analysing decades of animal-cognition research, he shows that, with the exception of fully-developed language, animals have been observed exhibiting many of the key behaviors that were thought to distinguish humans from animals: the ability to consider the past and the future, to demonstrate empathy and self-awareness, and to anticipate the motives of others. Animals, in other words, are far smarter than we’ve been giving them credit for.
Analisando décadas de pesquisas sobre cognição animal, ele demonstra que, com exceção de uma linguagem plenamente desenvolvida, os animais foram observados exibindo muitos dos comportamentos considerados exclusivamente humanos: a capacidade de refletir sobre o passado e o futuro, de demonstrar empatia e autoconsciência, e de antecipar as intenções dos outros. Os animais, em outras palavras, são muito mais inteligentes do que temos lhes dado crédito.
Anthropodenial, in de Waal’s opinion, is a relatively modern phenomenon. In medieval and early modern Europe, the animal mind was considered sophisticated enough that animals could be put on trial for crimes. And as recently as the nineteenth century, many naturalists sought out the connections between human and animal intelligence.
A antroponegação, na opinião de de Waal, é um fenômeno relativamente moderno. Na Europa medieval e no início da era moderna, a mente animal era considerada sofisticada o suficiente para que os animais pudessem ser julgados por crimes. E ainda no século XIX, muitos naturalistas buscavam as conexões entre a inteligência humana e a animal.
“The difference in mind between man and the higher animals, great as it is, certainly is one of degree and not of kind,” one nineteenth-century naturalist wrote. And this was no radical supporter of animal rights; it was Charles Darwin, whose theory of evolution changed the way we understand our place in the world.
“A diferença mental entre o homem e os animais superiores, por maior que seja, é certamente uma diferença de grau e não de natureza”, escreveu um naturalista do século XIX. E não se tratava de um radical defensor dos direitos animais; era Charles Darwin, cuja teoria da evolução mudou a forma como entendemos nosso lugar no mundo.
The advent of behaviorism in the twentieth century, with its emphasis on conditioning animals through reward and punishment, shifted public views of animal intelligence. For most of the twentieth century, the two dominant schools of thought viewed animals as either stimulus-response machines or as robots endowed with useful instincts.
O advento do behaviorismo no século XX, com sua ênfase no condicionamento dos animais por meio de recompensa e punição, transformou a visão pública sobre a inteligência animal. Durante a maior parte do século XX, as duas principais correntes de pensamento viam os animais ora como máquinas de estímulo-resposta, ora como robôs dotados de instintos úteis.
It is perhaps no accident that this shift occurred during the same century that saw humans tearing down animal habitats at unprecedented rates, polluting land and water, and developing methods of rearing livestock which ignored the welfare of the animals.
Talvez não seja coincidência que essa mudança tenha ocorrido no mesmo século em que os seres humanos destruíram habitats animais em ritmo sem precedentes, poluíram terra e água e desenvolveram métodos de criação de animais que ignoravam completamente o bem-estar deles.
Happily, de Waal believes that we are emerging from this dark period and learning to think of animal cognition as being on the same spectrum, though not necessarily at the same point, as that of humans. “The times are changing,” he writes. “Everyone must have noticed the avalanche of knowledge emerging over the last few decades, diffused over the internet.”
Felizmente, de Waal acredita que estamos saindo desse período sombrio e aprendendo a pensar na cognição animal como estando no mesmo espectro que a humana, embora não necessariamente no mesmo ponto. “Os tempos estão mudando”, ele escreve. “Todo mundo deve ter notado a avalanche de conhecimento que emergiu nas últimas décadas, difundida pela internet.”
The most effective tests of animal intelligence, he argues, are designed with a species’ particular traits and skills in mind. Squirrels may fail at human memory tasks, but whereas we need apps to find our misplaced phones, they can remember where they’ve hidden tiny caches of nuts. In her book “The Soul of an Octopus”, naturalist Sy Montgomery points out that if an octopus were to measure human intelligence, it might test us on the number of color patterns we can produce on our skin. Seeing us fail the test, it might conclude that we are pretty stupid.
Os testes mais eficazes de inteligência animal, ele argumenta, são elaborados levando em conta as características e habilidades específicas de cada espécie. Os esquilos podem falhar em tarefas de memória humanas, mas enquanto nós precisamos de aplicativos para encontrar nossos celulares perdidos, eles conseguem se lembrar de onde esconderam pequenas reservas de nozes. Em seu livro “A Alma de um Polvo”, a naturalista Sy Montgomery observa que, se um polvo fosse medir a inteligência humana, poderia nos testar pelo número de padrões de cores que conseguimos produzir em nossa pele. Ao nos ver fracassar no teste, poderia concluir que somos bastante burros.
De Waal remains skeptical of Inky’s happy ending. He points out that, while captive octopuses have escaped their tanks before, it’s probably overly optimistic to think that Inky figured out how to get to a drain leading to the ocean. But de Waal is aware of the power of viral stories to fuel appreciation of animal intelligence.
De Waal permanece cético quanto ao final feliz de Inky. Ele aponta que, embora polvos em cativeiro já tenham escapado de seus aquários antes, é provavelmente otimismo demais acreditar que Inky descobriu como chegar a um ralo que levava ao oceano. Mas de Waal está ciente do poder das histórias virais para estimular a valorização da inteligência animal.
He once ran an experiment to test whether capuchin monkeys can experience envy. When the monkeys were rewarded with either cucumbers (a well-liked monkey food) or grapes (an even better one), those given cucumbers shrieked and raged at seeing their peers get the superior treat. The study was published in a prominent scientific journal soon afterwards. But what really convinced people of the findings was a one-minute video clip of the experiment, released ten years later. Just one of the oddities of our particular kind of animal mind.
Ele certa vez conduziu um experimento para testar se macacos-prego conseguem sentir inveja. Quando os macacos eram recompensados com pepinos (um alimento bem aceito por eles) ou uvas (ainda melhores), aqueles que recebiam pepinos gritavam e se enfureciam ao ver seus companheiros receberem a guloseima superior. O estudo foi publicado em uma revista científica de prestígio logo em seguida. Mas o que realmente convenceu as pessoas dos resultados foi um vídeo de um minuto do experimento, divulgado dez anos depois. Apenas uma das curiosidades da nossa espécie particular de mente animal.
Veja também:
⇒ INGLÊS MÉDICO: 20 Termos Essenciais [com Áudio] – Parte 01
⇒ TEXTO BÁSICO: We Are Very Busy [com áudio]








